19 de set. de 2010

Arqueólogos encontram sapato mais antigo na Armênia

  

Cientistas afirmam ter encontrado o sapato de couro mais antigo do mundo, com 5,5 mil anos.
O calçado foi desenterrado por um grupo internacional de arqueólogos na Armênia. No tamanho 37, ele provavelmente pertenceu a um adolescente.
O pé direito (o esquerdo não foi encontrado ainda) tem 24.5 cm de comprimento e vai de 7.6 a 10 cm de largura, o equivalente a um sapato número 38 feminino. Apesar do tamanho, os arqueologistas não sabem determinar se o calçado pertencia a um homem ou mulher, porque não dá para determinar o tamanho das pessoas que viveram naquela época.

Os cientistas acreditam que as pessoas começaram a usar sapatos muito antes disso, mas essa é a primeira prova de que humanos já eram capazes de fabricar objetos assim naquela época.

Conservado por 5,5 mil anos embaixo de um monte de esterco de ovelhas, o sapato pré-histórico foi encontrado numa caverna seca da Armênia, na fronteira com o Irã e a Turquia. Estava numa vala dentro da estrutura de uma casa, sob o chão de argila, debaixo de um vaso de cabeça para baixo.Os cientistas não sabem se os objetos foram escondidos ali ou simplesmente abandonados.
A tecnologia usada pelos ancestrais para fazer o calçado é simples. Os pesquisadores pediram a um sapateiro irlandês para fazer réplicas.
O artesão disse que o calçado é simples, sua fabricação não exige habilidade e é muito básico. É praticamente um chinelo fechado.O sapato foi encontrado em buscas arqueológicas por indícios de homens de Neandertal que teriam vivido na região da fronteira com a Turquia e o Irã.


Sapato de couro mais antigo do mundo (Foto: Reprodução/Discovery News)
Trata-se do mais antigo sapato do mundo, encontrado por pesquisadores em uma caverna na Armênia. Datado do ano 3.500 a.C., o sapato, feito de uma única peça de couro, estava em perfeitas condições e moldado na forma do pé direito de seu dono ou dona.
O sapato foi descoberto em um buraco na caverna por Diana Zardaryan, estudante de doutorado do Instituto de Arqueologia da Armênia que participava da escavação e também ficou surpresa com seu bom estado: - Fiquei impressionada ao ver que até os cadarços estavam preservados - diz.

Antes deste sapato da Armênia, o mais antigo calçado encontrado no mundo eram sandálias feitas de vegetais achadas em uma caverna no estado americano do Missouri. Além disso, o sapato armênio é muito similar aos calçados que eram usados por comunidades das Ilhas Aran, no oeste da Irlanda, até os anos 1950.

- De fato, existem grandes similaridades nas técnicas de manufatura e estilo entre este sapato e outros de períodos posteriores encontrados por toda a Europa, sugerindo que este tipo de calçado foi usado por milhares de anos por diversas populações em diferentes condições ambientais - diz Pinhasi.

- Não sabemos se o sapato pertencia a um homem ou uma mulher. Embora pequeno (24,5cm, equivalente ao tamanho 35 no Brasil), caberia tanto num homem quanto numa mulher da época - diz Ron Pinhasi, da University College Cork da Irlanda e líder da pesquisa.

Segundo os pesquisadores, as condições secas, frias e estáveis da caverna, localizada na fronteira entre Armênia, Irã e Turquia, ajudaram na preservação dos achados, que incluem ainda potes de cerâmica que guardavam bem preservadas amostras de trigo, cevada, damasco e outras plantas comestíveis. O sapato, por sua vez, trazia em seu interior restos de grama que não se sabe se eram para auxiliar no aquecimento dos pés ou para manter seu formato.
Inicialmente pensamos que o sapato e os outros objetos tinham apenas de 600 a 700 anos de idade devido a suas boas condições. Foi só depois que o material foi datado pelos laboratórios de radiocarbono de Oxford e da Califórnia que descobrimos que o sapato era alguns séculos mais antigo do que os usados por Ötzi, o "Homem do Gelo" (múmia de mais de 5 mil anos encontrada congelada numa geleira nos Alpes em 1991) - conta Pinhasi.

Para se ter uma idéia de sua idade, ele é mais velho do que as pirâmides do Egito e do que Stonehenge, o santuário de pedras na Inglaterra. Três amostras foram enviadas para a Universidade de Oxford, para a Californa Irvine e para a Universidade de Cork, e as três tiveram o mesmo resultado, o sapato é de 3.500 A.C. A mesma época em que os humanos inventaram a roda e domesticaram cavalos.

Fontes:
BBCnews
oglobo.globo.com
Virgula Uol

17 de set. de 2010

Vampiros: Fato ou ficção?


  

Será que os vampiros vagam a terra no tempo de Michelangelo e Leonardo da Vinci? Os registros históricos indicam que as pessoas pensavam assim e mesmo descrevem como enterrá-los com segurança. Agora, mais de 400 anos mais tarde, uma vala do século 16 é descoberta perto de Veneza, na ilha de Lazaretto Nuovo.

Entre as escavações, faz-se um achado de um esqueleto com um tijolo, aparentemente, inserido entre as mandíbulas do crânio. Esta parece ser a evidência de um ritual macabro projetado para "matar" um vampiro. Lampejos de uma investigação forense altamente incomum.

O crânio e o tijolo do Vampiro de Veneza.
foto by © National Geographic Television


Durante séculos, por todo o mundo, mitos foram criados sobre a existência de vampiros. Quão verdadeiros são esses mitos?
Como a ciência moderna tem esclarecido esses falsos mitos?
Quais os fatos que cercam este folclore cultural?Um texto antigo em latim denominado "History of the Dead Masticating", publicado em 1679, dá instruções para o ritual de matar um cadáver "morto-vivo", que se alimenta do sangue dos vivos, empurrando uma pedra em sua boca.

O vampiro que sabemos, o homem de linhagem aristocrática que é sempre jovem, sexual e sedutor, não é real; Mas a invenção literária tem antepassados reais, que parecia diferente e passou por diferentes nomes. Eles eram uma classe de criaturas conhecidas como "fantasmas", e não eram sustentados por beber o sangue do pescoço, mas por excessiva ingestão de carne viva.

Bram Stoker, o homem quem criou o Conde Drácula em 1897, com seu personagem baseado em contos transmitidos da antiguidade, acrescentou e inventou os detalhes do vampiro moderno que conhecemos hoje. Ele leva o nome Drácula de uma antiga casa real da Romênia, da qual deriva um cruel governante do século 16, conhecido como Vlad, o Empalador, que matou dezenas e talvez centenas de milhares, empalando seus inimigos em afiadas estacas de madeira.

Entre os séculos 13 e 16, houve uma enorme suspeita generalizada de bruxaria e caça às bruxas que varreu o continente europeu. Estudiosos estimam que cerca de 60.000 pessoas foram julgadas e executadas por práticas de bruxaria.

Alguns estudiosos chegam a sugerir que as bruxas e vampiros já foram considerados como sendo uma mesma entidade, existem relatos de exumação para "matar" uma bruxa que já estava morta e tratar seu corpo como um vampiro.

A evidência sugere que as mulheres nessa época raramente viviam mais que 40 anos. Para uma mulher de mais idade seria uma candidata à suspeita de feitiçaria.  As pessoas poderiam acreditar que ela  sustentava a sua vida através de feitiçaria.

Yersinia Pestis, mais conhecida como Peste Negra, pensavam ser a razão para o surto do vampiro; cidadãos acreditavam que havia uma escuridão que cercava a doença e as mortes com atormento implacável.

Alguns estimam que a doença matou cerca de 200 milhões de pessoas, que sofreram         de tosse com sangue e agonia com sua pele a borbulhar.


A Doença de Gunther também tem sido citada como uma possível explicação por trás da crença em vampiros. As pessoas infectadas por esta doença sofrem de vermelhidão dos olhos e na pele, ossos e dentes manchados e extrema sensibilidade à luz solar.


Imagens
foto by © National Geographic Television
Doutores Matteo Borrini, Andrea Bucci e Daniele Molina com o crânio do Vampiro de Veneza, no Laboratório de Florença.

foto by © National Geographic Television
Dr. Matteo Borrini, antropólogo forense, em seu laboratório analisando o crânio do suposto Vampiro de Veneza.



foto by © National Geographic Television
Doutores Nuzzolese e Matteo Borrini examinam o crânio no laboratório de Florença.


foto by © National Geographic Television
Dr. Matteo Borrini, antropólogo forense, trabalhou como especialista em CSI.

Académico na Universidade de Florença, usando o seu tempo livre para pesquisar o crânio estranho com o tijolo entre a mandíbula.



Oculto na biblioteca da Universidade de Renaissance, Borrini encontra a resposta:
Um antigo texto descreve um ritual macabro em que um tijolo foi colocado na boca do cadáver, para matar um vampiro.


foto by © National Geographic Television
Doutores Matteo Borrini e Carmilla Borrini desenterram o Vampiro "de Veneza" numa escavação arqueológica em vala comum com ossadas de vítimas da Peste Negra, que assolou a região no século 16.


foto by © National Geographic Television
Reconstrução facial do possível rosto.

O fim da pesquisa do crânio original do Vampiro "de Veneza".
No século 16, uma lenda que cresceu falava de um vampiro, criatura conhecida como
"a capa comedora" (ou "manto comedor") acusado de ser a causa da Peste Negra.
Um tijolo foi colocado na boca de um cadáver, para matar um vampiro.

Fontes:

Yersinia Pestis:
Fundação Fiocruz
Wikipedia.org
Imagens

Doença de Günther:

Doença de Günther transforma mulher em mumia viva
 

Editorial:
Pesquisa, tradução e edição final: Mariangela Ghirotti 

16 de set. de 2010

Revista História Viva – ed.77 – Março 2010




A arqueologia sempre se alimentou de mistérios. Nem sempre, porém, as escavações foram suficientes para esclarecer os enigmas do passado. Descubra quais são as grandes charadas históricas que permanecem sem resposta.


Gênero: História
Tamanho: 19 Mb
Formato: rar/pdf

Leia mais e faça download aqui.

Fonte:
Superdownloads.org

15 de set. de 2010

Livro: A Civilização Maia.

  

ritual para o sacrifício de mulher Maya.

mapa dos antigos mayas-clipart.com
por N.S. Guelra
Os antigos maias viveram na área sub-tropical da América Central em que hoje são a Guatemala, a península de Yucatán, no México, a oeste de Honduras, Belize e El Salvador. Eles floresceram no período clássico da história mesoamericana, quando eles viviam em cidades-estados caracterizados por:

  • reis fortes,
  • cálculos astronômicos e matemáticos muito impressionantes, incluindo:
    • um acurado calendário
    • um conceito de zero (usado como um espaço reservado em sua base 20 no sistema de contagem, nomeadamente no calendário vago)
    • tabelas de eclipses,
  • certas práticas religiosas, incluindo sacrifício humano,
  • edifícios monumentais, compreendendo pirâmides,
  • reservatórios e terraços para o controle do abastecimento de água,
  • escrita hieroglífica
  • guerra contínua.

praça central da cidade de Tikal.

Aos Mayas também são creditados a criação de um jogo de bola precursor ao futebol.
A maioria das cidades maias foram abandonadas no final do século IX.
Duas das principais cidades dos maias foram localizados no seguinte endereço:

Leia mais sobre os Maias


Sítios Arqueológicos Maias:
A cidade Maya de Calakmul

Artigos relacionados:
A civilização Maya do norte ou a planície Maya
Exposição Especial: Tesouros sagrados dos reis Mayas.
A civilização e a cultura Maya.

14 de set. de 2010

Encontrado tesouro romano em campo da Inglaterra

  

Foto: Divulgação
Caçador de tesouros usou um detector de metais para achar tesouro com 52,5 mil moedas.

08 de julho de 2010.

Um caçador de tesouros encontrou 52,5 mil moedas do Império Romano, um dos maiores tesouros já descobertos no Reino Unido, anunciaram as autoridades locais.

O tesouro é avaliado em 3,3 milhões de libras (cerca de R$ 8,9 milhões) e inclui centenas de moedas com a imagem de Marcus Aurelius Carausius, que dominou a Grã-Bretanha e o norte da França no século III e se autoproclamou imperador.




Segundo a agência, o conselho do condado de Somerset anunciou que Dave Crisp utilizou um detector de metais e descobriu o tesouro em abril em um campo no sudoeste da Inglaterra. As moedas estavam em um grande jarro enterrado a cerca de 30 cm de profundidade e tem um peso de cerca de 160 kg.


Segundo crisp, em entrevista à BBC, ele ouviu um sinal "engraçado" do detector e começou a cavar. Primeiramente, ele encontrou uma pequena moeda de bronze. Ele continuou a cavar e retirou mais 20, quando encontrou o enorme jarro decidiu buscar ajuda especializada. Arqueólogos iniciaram então o delicado trabalho de escavação para preservar e estudar o objeto.


"Esse achado nos presenteia com uma oportunidade de colocar Carausius no mapa. Estudantes de todo o país aprendem sobre a Britânia Romana há décadas, mas nunca aprendem sobre Carausius, nosso imperador britânico perdido", diz o pesquisador Roger Bland, do British Museum, à reportagem.



De acordo com a agência, as autoridades locais irão iniciar um inquérito para determinar se o achado está sujeito à Lei do Tesouro, o que seria apenas um passo formal antes de determinar o preço para uma instituição interessada em comprar a descoberta.

Fonte:
Terra.com/notícias

13 de set. de 2010

De Masticatione Mortuorum


  

Image: <em>De Masticatione Mortuorum</em>


De Masticatione Mortuorum, Traduzido do latim como "On the Dead mascar," é um manuscrito escrito em 1679 por Philip Rohr. O texto com 330 anos discute um medo comum da época: o de alguns cadáveres humanos foram capazes de ressuscitar dos mortos e se deleitarem com a carne dos vivos.

As criaturas descritas no livro de Rohr consomem os corpos dos seres vivos, não só o sangue, diferenciando-se ligeiramente, a partir da concepção moderna do vampiro.

Todavia, De Masticatione Mortuorum tem desempenhado um papel fundamental na evolução do cânone da mitologia do vampiro.

Reprodução do original em Latin

Acima, parte do manuscrito traduzido do original em latim para o Inglês.

Texto da primeira página completa:

Outros, que não consideram esta uma medida de segurança suficiente, antes da boca dos mortos ser fechada,  colocar uma pedra e uma moeda na boca, de modo que,se caso em que ele comece a mastigar dentro do túmulo, iria encontrar a pedra e a moeda e iria abster-se de mastigar. Fato que foi testemunhado no seu tempo em uma infinidade de lugares na Saxonia, por Gabriel Rollenhagen. (livro IV Mirab. Peregrinat cap. 20, n.5 em Kornmann).

Entre os primeiros a trazer à luz o último costume do povo é o Excel. Garm. (de Mirac. Mort. manuscrito página 28.). Dizendo como estes bem seguem os costumes étnicos, para os gregos (δανακήν) usado para colocar uma moeda na boca dos mortos, assim, pagar Caronte, em nome daqueles que estavam a atravessar o pântano de Stygian.

Neste ponto, você poderia dizer que essas são soluções profiláticas das pessoas comuns, por que eles achavam que serviria para evitar o mal antes que ele caísse em cima deles; Pois se os mortos realmente mastigassem, retornando à vida, entre nós, alguém poderia tentar conduzir uma estaca neles, mas seria uma tentativa da mais infeliz. Por que querem os cadáveres mastigadores exumados serem punidos por cortar suas cabeças, e para que possam ser paralisados, serem ficados no meio do corpo com estacas na terra.

Tal foi o destino que se abateu sobre os cadáveres entre os anos de 1345 e 1603 no lugar mencionado.
Tal remédio é pelo fato reprovado pela inteligência, pois é moralmente, fisicamente e politicamente terrível. Moralmente na medida em que é um pecado contra a Deus, que proíbe a a todos agir preconceituosamente contra os mortos, pois é na verdade uma espécie de mal feito para os mortos, quando eles são exumados,  evitando que o líquido pestilento possa ser impedido de se propagar.

Pecado contra o vizinho, cuja fama começa a declinar quando, tendo sido desenterrado do túmulo, é decapitado e trespassado com uma estaca. Um cai em erro, pois ninguém pode se beneficiar por esta exumação do cadáver, na medida em que (se são física desvantagem) os locais próximos podem ser preenchidos com os vapores nocivos, e não ocorre um aumento da peste fomentada pelo próprio Diabo, que sem dúvida tem a intenção de atingir este fim, por meio da mastigação. Razão pela qual também os teólogos consultados por outros especialistas sobre este mal deram as suas respostas, para que ninguém se atrevesse a violar sepulturas, que deveriam ser preservadas e os cadáveres isentos de ser molestados.


Image: <em>De Masticatione Mortuorum</em>

Última linha da segunda página: Nossa Gente Comum tenta evitar o perigo de mascar, colocando uma porção de terra sob o queixo dos mortos recentemente enterrados, para que eles talvez abrindo a boca e tentando mastigar, não consiguam.


Fonte:
National Geographic/manuscript


Editorial:
Pesquisa, tradução e edição final:
Mariangela Ghirotti.

Leia também:
Vampiros, fato ou ficção - acervo deste blog.
Shroudeater - por Rob Brautigam - NL
O Vampiro, Seu Kith e Kin - por Montague Summers, [1928],
As origens do vampirismo - por John H. Zopfius (Dissertatio de Uampiris Seruiensibus, Halle, 1733).

5 de mai. de 2010

Mais antigo ancestral do homem é descoberto na África do Sul


Photograph courtesy Brett Eloff and Lee Berger
O Australopithecus Sediba foi encontrado em Malapa, África do Sul.

Um cientista da universidade de Witwatersrand, na África do Sul, anunciou ter descoberto fósseis de duas criaturas hominídeas com mais de dois milhões de anos, que poderiam ser o elo entre espécies mais antigas e as mais modernas, conhecidas como homo, entre as quais está a de pessoas atuais.

Lee Berger afirmou à BBC que a descoberta, nas cavernas de Malapa, perto de Joanesburgo, foi feita por acaso em 2008, quando ele e o filho de 9 anos passeavam no local, identificado como um potencial sítio arqueológico graças a uma aplicativo do Patrimônio Histórico Mundial acoplado ao programa Google Earth.

Fragmentos do fóssil encontrado na África do Sul.

A descoberta do Australopithecus Sediba foi publicada na última edição da revista científica Science, e os cientistas que assinam o artigo dizem que os esqueletos preenchem uma brecha importante no desenvolvimento das espécies hominídeas.

"Eles estão no ponto em que acontece a transição de um primata que anda sobre duas pernas para, efetivamente, nós", disse Berger.

"Acho que provavelmente todos estão conscientes de que este período, entre 1,8 milhão a 2 milhões de anos atrás, é um dos mais mal representados em toda a história fóssil dos hominídeos. Estamos falando de um registro muito pequeno, um fragmento."

Photograph by Marion Kaplan, Alamy
Sepultamento rápido:
Muitos cientistas veem os australopitecos como ancestrais diretos do Homo, mas a localização exata do australopitecos Sediba na árvore genealógica humana vem causando polêmica. Alguns acreditam que os fósseis podem ter sido da espécie Homo.

O que se sabe é que estas criaturas da Malapa viveram às vésperas do domínio da espécie Homo; Inclusive, alguns esqueletos encontrados na África Orienta,l que se atribuem a espécies de Homo seriam até um pouco mais antigos que as novas descobertas.

Mas o A. Sediba apresenta uma mistura de detalhes e características, como dentes pequenos, nariz proeminente, pélvis muito avançada e pernas longas, semelhantes às que temos atualmente. No entanto, a espécie tinha braços muito longos e um crânio pequeno que lembra os da espécie australopitecus, muito mais antiga, à qual Berger e seus colegas associaram a descoberta.


Os ossos foram encontrados a cerca de um metro uns dos outros, o que indicaria que eles morreram na mesma época ou pouco tempo depois do outro.

Os especialistas dizem que os fósseis podem até ser de mãe e filho e que é razoável presumir que pertenciam ao mesmo bando.

Não se sabe se eles moravam no complexo de cavernas em Malapa ou se acabaram presos por ali, depois que terem sido arrastados para um lago ou piscina subterrâneos, talvez durante uma tempestade.


Os ossos dos dois espécimes foram depositados perto de outros animais mortos, entre eles um tigre dente-de-sabre, um antílope, ratos e coelhos. O fato de nenhum dos corpos terem sinais de terem sido comidos por outros animais, indicam que morreram e foram sepultados repentinamente.

"Achamos que deve ter havido algum tipo de calamidade na época, que tenha reunido todos esses espécimes na caverna, onde ficaram presos e, finalmente sepultados", afirmou o professor Paul Dirks, da universidade James Cook, na Austrália.

Todos os ossos ficaram preservados em sedimentos clásticos calcificados que se formam no fundo de poças d'água.


Photograph courtesy Paul Dirk.

Nosso novo ancestral africano:
Se existe um Eldorado para os antropólogos que estudam a evolução humana, ele fica na África do Sul, a apenas 45 minutos de carro de Johannesburgo. Foi lá, num parque onde ficam as 130 cavernas de Malapa, que pesquisadores encontraram um terço de todos os fósseis de hominíneos (o nome da família que inclui o homem, nossos antepassados e parentes) descobertos desde os anos 30. 

Não é à toa que o local, um patrimônio universal da Unesco, é conhecido como Berço da Humanidade. Agora imagine a alegria de um explorador que descobrisse não uma nova mina, mas um terreno repleto delas, um segundo Eldorado. Foi o que aconteceu com o antropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo.

Durante todo o mês de julho de 2008, ele navegou no site Google Earth, observando imagens de satélite com a ajuda do geólogo Paul Dirks. Os dois detectaram indícios de quase 500 cavernas no mesmo parque. No mês seguinte, Berger foi fazer uma primeira visita. Bastou descer do jipe para ver uma cavidade no solo e descobrir um rico sítio fossilífero.

O resultado dessas primeiras explorações foi divulgado na semana passada pela revista científica Science: os fósseis de um garoto, que tinha entre 9 e 13 anos, e de uma mulher de uns 30 anos, mortos há 2 milhões de anos. Segundo Berger e Dirks, eles pertenciam a uma espécie até hoje desconhecida da linhagem humana, a Australopithecus Sedeba (Australopithecus significa macaco do sul da África, e Sedeba quer dizer fonte, no dialeto da tribo local, os Sothos).

Photograph by Shaen Adey, Gallo Images, Corbis.

Essa pode ser uma das peças que faltam no quebra-cabeça da linhagem humana. "A nova espécie partilha várias características com as primeiras espécies do gênero Homo, como o formato da bacia e do crânio", diz Berger. Eles andavam eretos, tinham pernas longas e mãos parecidas com as nossas. Apesar do cérebro pequeno, o formato do crânio também aponta em nossa direção. O fato de seus braços serem muito longos, lembram os de chimpanzés e gorilas. "O sedeba é um ancestral direto do gênero Homo", diz Berger. "Neste momento estamos fazendo a reconstituição facial. Já encontramos outros dois exemplares. Ainda há muito estudo e descoberta à frente".

A exploração das novas cavernas da Malapa deverá enriquecer – e complicar – o ramo da paleoantropologia. Embora Charles Darwin tenha previsto em 1871 que os fósseis de ancestrais humanos deveriam ser procurados na África (por causa de nossa semelhança anatômica com chimpanzés e gorilas, que vivem lá), só em 1925 foi encontrado nosso primeiro ancestral africano. Era o Australopithecus africanus, de 2,5 milhões de anos.

Nos 50 anos seguintes, surgiram meia dúzia de espécies, tanto na África do Sul quanto no Vale do Rift, entre a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia. A mais antiga e mais famosa é Lucy, de 3,4 milhões de anos, a fêmea de Australopithecus Afarensis revelada em 1974. Grande parte dessas descobertas mostram que, durante milhões de anos, haviam diversas espécies humanas no planeta. Somos a única que sobreviveu.

Berger e Dirks dizem ter certeza de que o sedeba faz parte da nossa linhagem. Se é assim, ele merece um nome, como Lucy (homenagem à canção dos Beatles "Lucy in the sky with diamonds"). Perguntei que nome seria esse, durante a teleconferência do anúncio da descoberta. Berger riu. "Desta vez, o apelido dos fósseis não sairá de um laboratório. Vamos fazer um concurso entre as crianças da África do Sul".

Revista Época








Fontes:

Editorial:
pesquisa, tradução e edição final:
Mariangela Ghirotti